quarta-feira, 18 de julho de 2007

terça-feira, 17 de julho de 2007

Canção Breve

Tudo me prende à terra onde me dei:
o rio subitamente adolescente,
a luz tropeçando nas esquinas,
as areias onde ardi impaciente.

Tudo me prende do mesmo triste amor
que há em saber que a vida pouco dura,
e nela ponho a esperança e o calor
de uns dedos com resto de ternura.

Dizem que há outros céus e outras luas
e outros olhos densos de alegria,
mas eu sou destas casas, destas ruas
deste amor a escorrer melancolia.

Eugénio de Andrade

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Fim



Vi o teu rosto imóvel,
Cada vez mais próximo.
Já sem luz, quieto.
Vinha contigo a face que desconhecia,
Estranha, quase objecto.
Duvidei das palavras,
Dos seus contornos.
Os teus lábios já não quentes,
Nem sequer mornos.
Senti o fim…
Foi bom assim.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Bem Vindo ao Passado



Há músicas que mostram o quanto foram escritas com sentimento, aquele sentimento que vem do passado, mas que deixa marcas no presente e no futuro, NBC recria GNR, no album Revistados a música Bem Vindo ao Passado, com uma letra poderosa que não sai da cabeça.

Pouco ou nada há a dizer desta música, é ouvi-la e sentir.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Melvin & Jacqueline

Melvin estava sentado a beber a sua Macieira e fumando charuto cubano ao som de um cantor francês dos anos 60.
Melvin, chorava ao ouvir velhos clássicos franceses enquanto sua companheira, Jacqueline, na poltrona dourada e roída pelos ratos da Mansão dos Vitorinos, comia tremoços com casca e lia romances de bordel.
Melvin, já recomposto das lágrimas derramadas, bebia o último trago que restava no copo, saboreando a Macieira já salgada pelas gotas que caíram dos seus olhos.
Jacqueline, pousara o livro no último capítulo, onde se desvendava quem tinha morto a prostituta coxa, levanta-se da poltrona dourada e beija Melvin como se não houvesse amanhã…
E não houve. Pelo menos para eles e para os 300 passageiros que estavam a bordo do avião que caiu em cima da Mansão dos Vitorinos.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Sonho

De suspirar em vão já fatigado,
Dando trégua a meus males, eu dormia;
Eis que junto de mim sonhei que via
Da Morte o gesto lívido e mirrado.

Curva fouce no punho descamado
Sustentava a cruel, e me dizia:
- «Eu venho terminar tua agonia;
Morre, não penes mais, oh desgraçado!»

Quis ferir-me, e de Amor foi atalhada,
Que armado de cruentos passadores
Aparece e lhe diz com voz irada:

- «Emprega noutro objecto os teus rigores,
Que esta vida infeliz está guardada
Para vitima só de meus furores.»

Bocage

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Jorge Palma - O Maior !

Jorge Palma está de regresso aos discos com "Voo Nocturno", e volta em grande, pois Jorge Palma é sem dúvida um dos mais talentosos compositores portugueses.
Neste seu 11º álbum de originais, o single "Encosta-te a Mim" tem direito a um dos mais brilhantes video-clips que acaba por ser comovente ao ver o carinho que todos têm por Palma, pois todos temos um pouco dele e da sua música dentro de nós.
Com uma letra brilhante, este vídeo podia chamar-se a Festa da Música Portuguesa...

E como é bom ter alguém que se encoste a nós, quando o frio da escada se sente ao de leve para aconchegar



Encosta-te a mim

Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim, talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim, dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou, deixa-me chegar.

Chegado da guerra, fiz tudo p´ra sobreviver
em nome da terra, no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem, não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói, não quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Encosta-te a mim, desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.

Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Muse

É a minha mais recente paixão musical, as letras, as melodias, os ritmos do bom velho rock, com cheirinho a "moderno". Impossível é ficar quieto ou indiferente a musica dos Muse, ela mexe connosco e nós mexemo-nos com ela.

Para entrar no fim-de-semana que se avizinha Time is Running Out dos MUSE

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Amanhã



Amanhã não é um bom dia, não perguntes porquê.
Não é um bom dia, pronto!
A tua insistência em perguntar, leva-me ter de te dizer que mesmo não prevendo o futuro e apenas porque não sei como vai ser o meu dia de amanhã, digo-te que amanhã não vai ser um bom dia.
Encolhes os ombros e nada dizes, sentas-te e esfregas a tua orelha esquerda, como sempre.
Já no dia que não ia ser um bom dia, tu telefonas-me e dizes:
- “Como está a ser o teu dia?”
Aí, eu enervo-me e digo:
-“Este telefonema era desnecessário, já te tinha dito que ia ser um dia mau.”

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Estação

Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te
vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho

Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça


Mário Cesariny

terça-feira, 3 de julho de 2007

You`ll Follow Me Down

Se há bandas que não deviam ter acabado os Skunk Anansie são uma delas, do rock mais pesado às músicas mais calmas, pautavam pela diferença e pela irreverência principalmente de Skin, dona de uma voz única e inconfundível.
Para recordar aqui fica You`ll Follow Me Down.


segunda-feira, 2 de julho de 2007

Deambulação

É o deambular do corpo,
É a pele macia,
É o arrepio carnal,
É a mão que vagueia,
São os corpos cruzados,
Suados,
Molhados.
São as línguas entrelaçadas,
São os lábios tocados,
São as pernas trémulas,
São os corpos cruzados,
Colados,
Unidos.
É o brilho nos olhos,
É o sorriso estampado,
É o arfar de alegria,
São os corpos cruzados,
Cansados,
De uma noite que quis ser dia.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

GNR

Porque as homenagens devem ser feitas em devido tempo, aqui fica a nossa a uma das bandas com mais carisma e que mais marcaram na década de 80 e inícios de 90 em Portugal. Os GNR.
Sem tirar qualquer mérito a Tolí e ao Romão, Reininho sempre se destacou pela irreverência, atitude, escrita e pela sua loucura e todos nós devíamos ter uma dose de loucura "À LA REININHO" !!!
Para recordar MORTE AO SOL

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Poeira à solta no Passos Manuel com Jorge Cruz

É dia 27 de Junho de 2007, é no Passos Manuel, um dos locais mais culturais da actualidade na Cidade Invicta.
O concerto é de Jorge Cruz, de volta à cidade que bem conhece para apresentar o novo álbum "Poeira".
Apesar do atraso no início do concerto, valeu bem a espera, Jorge Cruz leva-nos em viagens e por caminhos que todos corremos ou estamos a correr através das suas letras e músicas.
Marta Ren e alguns dos elementos dos Sloppy Joe, Alexandre Mano (dos extintos Superego) e muitos outros convidados ajudam na viagem, Helena encanta com a voz e brilha a solo, em espanhol.
Sede, o álbum anterior, não foi esquecido, Fado de uma rua qualquer, Adriana e a intimista Roupas Parte 2 a abrir o encor onde Jorge Cruz sozinho em palco mostra toda a magia que há na sua forma de dizer e saborear as palavras.
De "Poeira" a destacar, o tema Nada, do qual temos o video oficial do mesmo e Canção Desta Cidade também com video exclusivo do Faz Frio na Escada (a imagem e o som nao é o melhor, mas dá para saborear o que foi a noite de ontem no Passos Manuel)
Para quem diz nao haver boa música escrita em português, Jorge Cruz está aí...

Nada



Canção desta Cidade, ao vivo no Passos Manuel com Marta Ren dos Sloppy Joe

terça-feira, 26 de junho de 2007

Estrela da Tarde

Quando sentados na escada e o frio deste verão se faz sentir, há músicas (porque a vida é feita de músicas) que nos fazem sentir ainda mais o frio que por vezes nos aconchega.
A letra é de José Carlos Ary dos Santos, um dos mais brilhantes poetas e escritor de canções deste nosso país e com a voz do nao menos brilhante Carlos do Carmo.

Fica aqui a letra, para acompanhar a musica e sentir as palavras.

Estrela da Tarde
Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!



segunda-feira, 25 de junho de 2007

Um menino chamado Palhaço

São revoltas estáticas,
Paradas.
São pensamentos constantes,
Delirantes.
São gritos contidos,
Amordaçados.
É o brilho fosco de um olhar
Que reluziu e iluminou o mundo,
O meu mundo.
São os sonhos quebrados,
Afogados,
No silêncio de uma noite
Que me acolhe a cada sorriso triste que dou…
E como sabe bem este meu sorriso triste.


quarta-feira, 20 de junho de 2007

My Brother

Porque muitas vezes o frio que sinto na escada é acompanhado pelo My Brother... esta é para ti.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Recordar Guns n' Roses

Na minha humilde opinião, as bandas e as músicas que ouvimos na adolescência serão sempre aquelas com que nos identificamos e com as quais crescemos.
Para mim, os Guns n' Roses (não a formação actual, mas sim a da altura do vídeo aqui em destaque) marcaram-me.
Para manter viva a chama do adolescente que existem dentro de todos nós, aqui fica November Rain. GUNS RULLES !!! YEAHHHHHHH !!!!!


segunda-feira, 18 de junho de 2007

J.P. Simões

1970, é o álbum de estreia a solo de J.P. Simões.
Depois dos projectos "Belle Chase Hotel" e "Quinteto Tati", J.P. Simões aventura-se a solo num cd recheado de boas melodias e letras como já nos tinha habituado nos projectos anteriores.
Aqui fica "Se por acaso (me vires por aí)", do álbum em questão, para ouvir de olhos fechados !

sexta-feira, 15 de junho de 2007

O Tiro da Partida

Há músicas que falam por nós !!

(É favor ouvir com o volume no máximo...)

quinta-feira, 14 de junho de 2007

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Chaga

É bom, por vezes ler as letras sem a musica e sentir que as palavras poderiam ter saído da nossa boca.

Foi como entrar
Foi como arder
Para ti nem foi viver
Foi mudar o mundo
Sem pensar em mim
Mas o tempo até passou
E és o que ele me ensinou
Uma chaga pra lembrar que há um fim

Diz sem querer poupar meu corpo
"Eu já não sei quem te abraçou"
Diz que eu não senti teu corpo sobre o meu
Quando eu cair
Eu espero ao menos que olhes para trás
Diz que não te afastas de algo que é também teu
Não vai haver um novo amor
Tão capaz e tão maior
Pra mim será melhor assim
Vê como eu quero
E vou tentar
Sem matar o nosso amor
Não achar que o mundo é feito para nós

Foi como entrar
Foi como arder
Para ti nem foi viver
Foi mudar o mundo
Sem pensar em mim
Mas o tempo até passou
E és o que ele me ensinou
Uma chaga pra lembrar que há um fim

Ornatos Violeta - Chaga in "O montro precisa de amigos"

Aqui fica a música para depois de ler...ouvir

segunda-feira, 11 de junho de 2007

SERÁ ?

Umas das mais brilhantes letras alguma vez escritas na língua portuguesa, pouco ou nada há a escrever sobre ela. Saboreiem as palavras...

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Vento frio

Já não sei se é exílio
Demência, feitio ou confusão.
Estradas corridas a fio
Mentais, reais, abstracção.
Rajada de vento frio
Da loucura ou absolvição?
Eu no meio dos sentidos,
Eu no meio da revolução!
Foi extensa a espera
Foi descrença, foi apaziguação.
Um devaneio perdido.
És a luz da escuridão!

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Hasta la victoria siempre


Existem pessoas que mesmo sem as conhecer-mos pessoalmente nos marcam.
El Comandante é um deles, os ideais, a bravura, o sonho, a determinação, o não vergar perante os supostamente mais fortes, o lutar por povos que não eram o dele, mas sim por uma única razão, A LIBERDADE.

O morrer em nome do que se acredita, não esta ao alcance de todos…

É do cimo da escada que grito:

HASTA LA VICTORIA SIEMPRE... COMANDANTE !

Dizem que a paixão o conheceu

dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice

conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo

dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nunhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos

Al berto

terça-feira, 5 de junho de 2007

Like a Stone

Chris Cornell acaba de lançar o seu segundo álbum a solo, denominado Carry On, para trás ficaram os míticos Soundgarden e os Audioslave, duas das banda onde Chris Cornell deu a sua voz. E que voz…
Um dos melhores cantores Rock de sempre, e um grande escritor de canções.
Para recordar aqui fica do primeiro álbum dos Audioslave, “Like a Stone” com uma letra brilhante.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

José Luís Peixoto

fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido
com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro
do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir
que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde
os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas
não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão
desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós
olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver
sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de
medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto
dentro de mim: será que vou morrer?, olhas-me e só tu sabes:
ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer:
amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um
oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga.


José Luis Peixoto in Criança em Ruínas

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Go Graal Blues Band

No final da década de 70 e início dos anos 80, a Go Graal Blues Band era uma das melhores bandas ao vivo, e com um som tipicamente blues, cantado em inglês, quando em Portugal, o rock cantado na língua lusitana estava na moda.
Marcaram a diferença, foram e ainda são uma banda de culto e da qual nunca houve uma reedição dos seus trabalhos em CD, aqui fica um vídeo que mostra toda atitude da banda em palco.