quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Quem mais poderia entender?

Senti de novo o cheiro
E tu estavas lá.
Quem mais poderia estar?
Quem mais poderia entender?
Aquele correr,
Aquele brilho,
Aquela azafama.
Senti de novo tantos sentidos.
E nós estávamos lá.
Quem mais poderia estar?
Quem mais poderia entender?
Já são muitos anos,
Muitas caminhadas,
Poderia até dizer tantas paixões,
Tantas outras alegrias.
Senti de novo que era ali que queríamos estar.
E estávamos, como havemos de estar,
Muitas outras vezes…
Senti de novo que somos assim…
Seja lá o que isso quer dizer.
Mas somos… E gostamos !

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

The Gossip - Heavy Cross

É a música deste Verão do Faz Frio na Esacada...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

LIBERDADE

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

terça-feira, 4 de agosto de 2009

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Apatia

Na minha indiferença,
Sinto-me diferente…
Ao sorriso, ao sentir.
É a tal apatia do sonho,
Que fugiu, como foge o Quim!
Depois de fechar os olhos,
Já não brilho, nem disfarço.
Apenas brinco ao sono,
De mão dada com o cansaço.
Na minha diferença,
Sinto-me indiferente,
Às leituras, às escritas.
É a tal apatia do sonho.
Que fugiu, que fugiu de mim.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A Morte absoluta

Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.

Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão – felizes! – num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.

Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?

Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.

Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."

Morrer mais completamente ainda,
Sem deixar sequer esse nome.

Manuel Bandeira

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael Jackson - The King of Pop



Poderia dizer tanta coisa sobre o Rei da Pop, todas as loucuras cometidas, todas as revoluções que fez no corpo...mas não podemos esquecer a maior revolução de todas, a da música Pop.
A música que ouvimos hoje em dia em grande parte a ele se deve mas, como tem sido hábito todos os génios da música morrem "cedo", de forma estranha ou abrupta, Michael Jackson não fugiu à regra, por muitos "defeitos" que teve deverá ser recordado por coisas como esta...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Rifão Quotidiano

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

Mário Henrique Leiria

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Foge Foge Bandido - Meu Amor Está Perto

Este Senhor é um génio da música, da escrita, aqui fica uma amostra do último trabalho a solo. Manel Cruz é grande... muito grande!



a chuva molha a minha roupa
os carros não param de gritar
convidando-me para morrer
eu procuro não olhar
desse eu brilho à minha estrela
não teria de me esconder
mas a chuva nas minhas mãos lembra-me
que vou morrer

meu amor está perto
vejo-o correndo para mim
só que eu não sou certo
vejo-me correndo para o fim

vem morar na tua casa
o pobre nunca te viu ficar
chegas sempre com um dos pés pronto
para não entrar

meu amor está perto
vejo-o correndo para mim
só que eu não sou certo
vejo-me correndo para o fim

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Caminhos

Já caminhamos por ruas,
Sem sentido,
Em busca de nada,
Mas de olhos postos em tudo.
Pisamos riscos,
E tantas linhas calcadas…
Depois as fugas, no covil.
E passaram horas…
Tantas horas.
E quando damos por nós,
Voltamos a caminhar por ruas,
Mas agora com sentido,
Em busca de vida,
E de olhos postos no nada.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Pensar duas vezes...

Tinha de partilhar este video...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Em ti

Existe algo em ti,
Um fascínio,
Uma loucura.
Aquele brilho,
Aquele som,
A magia que tens.
A sensualidade que transportas.
Viagens,
Paixões,
Amores,
E lá no fundo a tristeza,
A solidão.
Existe tudo em ti…Noite.

terça-feira, 7 de abril de 2009

terça-feira, 24 de março de 2009

Noite

Eu vivo
nos bairros escuros do mundo
sem luz nem vida.

Vou pelas ruas
às apalpadelas
encostado aos meus informes sonhos
tropeçando na escravidão
ao meu desejo de ser.

São bairros de escravos
mundos de miséria
bairros escuros.

Onde as vontades se diluíram
e os homens se confundiram
com as coisas.

Ando aos trambolhões
pelas ruas sem luz
desconhecidas
pejadas de mística e terror
de braço dado com fantasmas.

Também a noite é escura.


Agostinho Neto

terça-feira, 17 de março de 2009

quinta-feira, 12 de março de 2009

SORRATEIRAMENTE

E sorrateiramente chegou à minha beira, gorro branco na cabeça, sorriso tímido mas maroto, à boa maneira de “nuestros hermanos”.
Pouco foi necessário para soltar sorrisos, brilhos e magias… Um olhar, um ou dois copos vazios e assim estávamos em festa. Nada o fazia prever, mas acontece, dizem os entendidos.
Um até amanhã, um cheiro qualquer que veio comigo para casa, uma pequena alucinação.
O dia seguinte é sempre mais difícil, dizem outra vez os entendidos, (e eu tenho de concordar) a timidez do sorriso já tinha evaporado, ficou apenas o sangue quente e o corpo arranjado.
Mais um ou dois copos vazios, atrevia-me a dizer três ou quatro, mas quero antes pensar em dois e, é aqui que mais uma vez entram os entendidos a dizer alto e a bom som que dois é um número romântico… e eu continuo, na tal alucinação, pequena mas forte, com garra, como a tua garra.
Chegam sorrateiramente as palavras trocadas, horas que me pareceram dias, e de novo sorrisos e olhares marotos.
Entre os momentos e a despedia, ficam os impacientes cigarros que ambos fumamos. Tudo soube a tão pouco, houve convites, houve sinais que não quero entender, certezas, outras tantas dúvidas e um carro a correr.
Levei de novo um cheiro para casa, mas já não era um cheiro qualquer, levei também fantasias, estradas que hoje descubro estarem cortadas mas que me atrevo a passar.
Sorrateiramente, esta minha pequena alucinação transforma-se numa leve demência que me sabe bem, mas que magoa, que me trilha o peito como um soutien apertado, mesmo que nunca tenha usado nenhum.
E assim fiquei, pensativo, utópico como sempre, com saudade de um gorro branco, com saudade de dois copos vazios, duma quarta-feira qualquer que passou sem avisar…sorrateiramente.
Dizem os entendidos mais uma vez e para finalizar, que se falecesse ali… naquele momento, falecia feliz!
E quem sou eu para os contrariar?

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Concha Buika - Volveras

Olvídame si puedes, yo no he podido

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Dor

Dói saber que queria… que quero!
E não estás.
Dói teu ultimo olhar,
Teu sorriso triste.
Disfarçando o indisfarçável.
Dói saber que foram dois dias,
O que podia ser um século.
Dói saber que vais nesta hora para o teu lugar,
Para onde não te posso tocar.
Dói saber que tanto tinha para te dizer e escutar.
Dói saber que os meus braços não chegam para te abraçar.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Aranha

Ela sempre tinha gostado de aranhas e fumava SG Filtro, não pelo tabaco mas sim pelo azul da embalagem que dizia “ficar bem” com o seu tom de pele.
Certo dia, numa noite de verão muito quente, fumava sentada na soleira da sua porta e eis senão quando, no maço de tabaco estava uma aranha, grande, peluda, quieta.
Fixou o seu olhar no araquenídeo e, de um momento para o outro a aranha salta, ferra e foge… era venenosa.
Três horas no hospital, quatro injecções, foi o que bastou para deixar de gostar de aranhas, todavia, pelo sim pelo não, começou a fumar SG Ventil.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

João Aguardela 1969 - 2009

Foi fundador dos Sitiados, tinha o projecto a solo Megafone, que misturava a música tradicional portuguesa com música electrónica, Linha da Frente e A Naifa, foram os seus projectos mais recentes.
Faleceu domingo à noite, vitima de cancro aos 39 anos.
Um impulsionador da música portuguesa...

Sitiados - Outro parvo no meu lugar

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Que é voar?

Que é voar?
É só subir no ar,
levantar da terra o corpo,os pés?
Isso é que é voar?
Não.

Voar é libertar-me,
é parar no espaço inconsistente
é ser livre,leve,independente
é ter a alma separada de toda a existência
é não viver senão em não -vivência

E isso é voar?
Não.

Voar é humano
é transitório,momentâneo...

Aquele que voa tem de poisar em algum lugar:
isso é partir
e não voltar.

Ana Hatherly

domingo, 4 de janeiro de 2009

Kings Of Leon - Sex On Fire

É desta meneira que 2009 entra pela Escada acima...

sábado, 27 de dezembro de 2008

Esta cidade que habita

Existe um rasto de silêncio pelas
ruas desta cidade onde moro. O meu corpo
tece horas já e nada se apaga como antes.

Onde estou, o frio é incessante e
às minhas mãos queimam-se fotografias como
se o passado não existisse mais.

De hoje em diante, irei apagar-me
em cada dia, para que nada reste dentro de mim
ou dentro da garrafa vazia.

Por isso te vejo a desaparecer
rapidamente, como um dente-de-leão ao vento
da minha voz, ao agredir-te sem que te
doa ou marque para sempre.

E para que os dias passem, bebo-me
de dentro das mãos. Como um vinho verde
que me corre no corpo e assim a visão do mundo
é mais carente - o frio que sinto é da
cidade.

Nada mais existe por aqui que me prenda
ou que me faça ficar. Visto a mala para
pensar na partida, carrego-me pela porta até
ao jardim que se estende lá fora, sem luz sem sol
nem calor.

Os meus pés já não caminham porque
não sabem. Porque todas as cartas me ensinaram
que a maneira como se pisa um ladrilho é igual
à de pisar um rosto

mesmo que de tal não se goste.

Por isso perco os sentidos nesta cidade
sem polícia e sem refúgios - como se fosse eu
o último a perder-me nas ruas labirínticas e
planas onde o vento me espalha a memória como
água em papel.


Sérgio Xarepe

Slimmy - Dumb

domingo, 21 de dezembro de 2008

Quem Escreve

Quem escreve quer morrer, quer renascer
num ébrio barco de calma confiança.
Quem escreve quer dormir em ombros matinais
e na boca das coisas ser lágrima animal
ou o sorriso da árvore. Quem escreve
quer ser terra sobre terra, solidão
adorada, resplandecente, odor de morte
e o rumor do sol, a sede da serpente,
o sopro sobre o muro, as pedras sem caminho,
o negro meio-dia sobre os olhos.


António Ramos Rosa

domingo, 14 de dezembro de 2008

Inconsciente

Não passa de um vaguear
Mesmo que inconsciente.
São meros laivos furtivos
Mesmo que inconsciente.
É aquele despejo mental,
Mesmo que inconsciente.
É apenas um desejo carnal.
Mesmo que consciente !

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

João Guimarães Rosa

"Quando escrevo, repito o que já vivi antes.
E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente.
Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo
vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser
um crocodilo porque amo os grandes rios,
pois são profundos como a alma de um homem.
Na superfície são muito vivazes e claros,
mas nas profundezas são tranquilos e escuros
como o sofrimento dos homens."


João Guimarães Rosa