Da grande página aberta do teu corpo
sai um sol verde
um olhar nu no silêncio de metal
uma nódoa no teu peito de água clara
Pela janela vejo a pequenina mão
de um insecto escuro
percorrer a madeira do momento intacto
meus braços agitam-te como uma bandeira em brasa
ó favos de sol
Da grande página aberta
sai a água de um chão vermelho e doce
saem os lábios de laranja beijo a beijo
o grande sismo do silêncio
em que soberba cais vencida flor
António Ramos Rosa
quarta-feira, 5 de maio de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
Pedro Abrunhosa Não Desistas de Mim
Às vezes também tenho o direito de ser lamechas... e é tão bom... esta letra, o melhor que ele tem, diz tanto e tanto...o disco é novo, as dores são velhas... é desfrutar da escrita e fazer o favor de ouvir a música...
A porta fechou-se contigo,
Levaste na noite o meu chão,
E agora neste quarto vazio
Não sei que outras sombras virão.
E alguém ao longe me diz:
Há um perfume que ficou na escada,
E na TV o teu canal está aberto,
Desenhos de corpos na cama fechada,
São um mapa de um passado deserto.
Eu sei que houve um tempo
Em que tu e eu
Fomos dois pássaros loucos,
Voámos pelas ruas
Que fizemos céu,
Somos a pele um do outro.
Não desistas de mim,
Não te percas agora,
Não desistas de mim
A noite ainda demora.
Ainda sei de cor o teu ventre
E o vestido rasgado de encanto,
A luz da manhã,
O teu corpo por dentro,
E a pele na pele de quem se quer tanto.
Não tenho mais segredos,
Escondi-me nos teus dedos,
Somos metades iguais.
Mas hoje,
Só hoje,
Leva-me para onde vais
Que eu quero é dizer-te:
Não desistas de mim,
Não te percas agora,
Não desistas de mim
A noite ainda demora.
A porta fechou-se contigo,
Levaste na noite o meu chão,
E agora neste quarto vazio
Não sei que outras sombras virão.
E alguém ao longe me diz:
Há um perfume que ficou na escada,
E na TV o teu canal está aberto,
Desenhos de corpos na cama fechada,
São um mapa de um passado deserto.
Eu sei que houve um tempo
Em que tu e eu
Fomos dois pássaros loucos,
Voámos pelas ruas
Que fizemos céu,
Somos a pele um do outro.
Não desistas de mim,
Não te percas agora,
Não desistas de mim
A noite ainda demora.
Ainda sei de cor o teu ventre
E o vestido rasgado de encanto,
A luz da manhã,
O teu corpo por dentro,
E a pele na pele de quem se quer tanto.
Não tenho mais segredos,
Escondi-me nos teus dedos,
Somos metades iguais.
Mas hoje,
Só hoje,
Leva-me para onde vais
Que eu quero é dizer-te:
Não desistas de mim,
Não te percas agora,
Não desistas de mim
A noite ainda demora.
sábado, 17 de abril de 2010
domingo, 11 de abril de 2010
As cores
Pinto os dias de azul,
Sem sequer saber as cores.
Afogo-me num cinzento qualquer,
Calco largos riscos vermelhos,
E ainda não sei as cores.
Visto-me de preto.
Escorrego em algo verde,
E fico amarelo só de pensar.
Já de noite, quando acendem as luzes,
Reparo no laranja que brilha…
O cão, uiva em tons de lilás.
Coloco os tais óculos castanhos,
E descubro que sou daltónico.
Sem sequer saber as cores.
Afogo-me num cinzento qualquer,
Calco largos riscos vermelhos,
E ainda não sei as cores.
Visto-me de preto.
Escorrego em algo verde,
E fico amarelo só de pensar.
Já de noite, quando acendem as luzes,
Reparo no laranja que brilha…
O cão, uiva em tons de lilás.
Coloco os tais óculos castanhos,
E descubro que sou daltónico.
sexta-feira, 5 de março de 2010
Sim, sei bem
Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.
Fernando Pessoa
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.
Fernando Pessoa
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Ponteiro
Ao consumir a noite e suas horas,
Vejo com a clareza nocturna
Uma sombra de dor.
Espero, espero um pouco mais.
O rolar das pedras,
Das vidas cansadas,
E o ponteiro dos minutos,
Que tem o poder de nunca parar.
Depois o fumo e mais fumo,
E a garganta já arranhar…
Divago numa ou outra leitura antiga,
E o ponteiro continua sem parar.
Um lápis, o velho caderno,
Uma ou duas músicas que tenho de escutar.
É dia, é já outro dia.
E eu não sei o que é acordar.
Vejo com a clareza nocturna
Uma sombra de dor.
Espero, espero um pouco mais.
O rolar das pedras,
Das vidas cansadas,
E o ponteiro dos minutos,
Que tem o poder de nunca parar.
Depois o fumo e mais fumo,
E a garganta já arranhar…
Divago numa ou outra leitura antiga,
E o ponteiro continua sem parar.
Um lápis, o velho caderno,
Uma ou duas músicas que tenho de escutar.
É dia, é já outro dia.
E eu não sei o que é acordar.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Cadeira
Saio agora da porta,
A correr, como de habitual.
Sempre o mesmo sono, repetido,
Um tanto ou quanto banal.
Aconchegam-me notícias tuas,
E o despertar é mais racional.
Vou pelo caminho velho,
Sem saber se é normal.
Um semáforo vermelho,
Mais um atraso, mais um jornal.
Por fim a tal cadeira…
E a certeza, que este não é o meu local.
A correr, como de habitual.
Sempre o mesmo sono, repetido,
Um tanto ou quanto banal.
Aconchegam-me notícias tuas,
E o despertar é mais racional.
Vou pelo caminho velho,
Sem saber se é normal.
Um semáforo vermelho,
Mais um atraso, mais um jornal.
Por fim a tal cadeira…
E a certeza, que este não é o meu local.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Ode à noite (inteira)
Gosto do momento, exacto ou nem por isso,
em que se torna possível colar cartazes
nas paredes ao lado dos meus ombros (espero
o autocarro, vejo devagar, sorrio). Mas
gosto, sobretudo, dos cães quase sem dono
que roçam as esquinas, pisando restos de garrafas
– ou das pessoas que desconheço
e das bebidas todas que ignoro
(porque me matam menos e se chamam
– como eu – insónia, pesadelo, golpe baixo).
Existem, claro, raparigas louras um tanto
heterodoxas que não te apetece beijar
(a forca do bâton, perfeita – o cigarro aceso
pedindo outro lume). Essas mesmas que hão-de
um dia procriar com zelo, evitando rugas,
tumores e o mundo como representação misógina.
Mais lírica, sem dúvida, é a lavagem das ruas,
com a cerveja a premiar a farda
demasiado verde e os bigodes de serviço.
Outros, alguns, tornam concreto o torpor
de um charro e pedem-te em crioulo básico
um cigarro português que tu vais dar,
sem esforço nem palavras. Entre shots, piercings,
t-shirts de Guevara e gel, podes não acreditar
por algumas horas no axioma frágil do teu corpo.
Esfumas-te, como eles, no espelho de um bar
qualquer, país de enganos e baratas. E
quase gostas disso, quase: a música de punhais,
servil, um certo e procurado desencontro.
Um táxi te ensinará depois o caminho de casa
– ou o seu contrário, pois só ali (anónimo
e desfocado) eras finalmente tu, ou podias ser.
O resto, a vida, fica para outra vez.
Manuel de Freitas
em que se torna possível colar cartazes
nas paredes ao lado dos meus ombros (espero
o autocarro, vejo devagar, sorrio). Mas
gosto, sobretudo, dos cães quase sem dono
que roçam as esquinas, pisando restos de garrafas
– ou das pessoas que desconheço
e das bebidas todas que ignoro
(porque me matam menos e se chamam
– como eu – insónia, pesadelo, golpe baixo).
Existem, claro, raparigas louras um tanto
heterodoxas que não te apetece beijar
(a forca do bâton, perfeita – o cigarro aceso
pedindo outro lume). Essas mesmas que hão-de
um dia procriar com zelo, evitando rugas,
tumores e o mundo como representação misógina.
Mais lírica, sem dúvida, é a lavagem das ruas,
com a cerveja a premiar a farda
demasiado verde e os bigodes de serviço.
Outros, alguns, tornam concreto o torpor
de um charro e pedem-te em crioulo básico
um cigarro português que tu vais dar,
sem esforço nem palavras. Entre shots, piercings,
t-shirts de Guevara e gel, podes não acreditar
por algumas horas no axioma frágil do teu corpo.
Esfumas-te, como eles, no espelho de um bar
qualquer, país de enganos e baratas. E
quase gostas disso, quase: a música de punhais,
servil, um certo e procurado desencontro.
Um táxi te ensinará depois o caminho de casa
– ou o seu contrário, pois só ali (anónimo
e desfocado) eras finalmente tu, ou podias ser.
O resto, a vida, fica para outra vez.
Manuel de Freitas
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Hockey - Too Fake
E no meio de muito frio (tanto lá fora, como aqui no "sitio"), fica a música que me faz lembrar o verão... e que bem me soube este verão !
sábado, 21 de novembro de 2009
Amigo
Não o tinha de "dizer", mas este mesmo não sendo meu é para ti, manito...
Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill
Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Meio termo
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Confissão
Escrever pode ser uma óptima desculpa para quem na vida não tem qualquer esperança. É uma maneira de preencher uma sombra e há momentos em que um beijo escrito vale por muitos.
É sempre a vida, é claro, mas com a distância limpissíma das palavras. E tudo sofre de uma insuficiência que a arte tenta reparar, e falha.
Espero que a esperança um dia venha e tudo isto não seja mais que um exercício de gramática.
Pedro Paixão
É sempre a vida, é claro, mas com a distância limpissíma das palavras. E tudo sofre de uma insuficiência que a arte tenta reparar, e falha.
Espero que a esperança um dia venha e tudo isto não seja mais que um exercício de gramática.
Pedro Paixão
domingo, 25 de outubro de 2009
Skunk Anansie - Because of You
Quando se regressa, e se regressa em grande, é sempre em dose dupla...
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Skunk Anansie - Squander
É para mim o regresso do ano. É para mim uma grande música... Estão de volta, em grande como sempre !
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Pirómano
Há dias em que me sinto um pirómano, caixa de fósforos na mão, garrafão de gasolina na outra e corro, corro na tua direcção e rego-te mas não te ateio o fogo, pelo menos nos próximos minutos, vou regando, aos poucos, vejo a gasolina escorrer o teu corpo, e aprecio…
Olho para ti, regada, e gosto…Mais dois ou três silêncios, olhares e volto a regar-te e pego no fósforo e raspo na caixa e o lume cresce, de novo um silêncio e por fim incendeio-te. Levo o fogo a consumir a tua alma, o teu corpo e mais corpo…todos os cantos do teu corpo e vejo-te arder e gosto, e gostas !
Deixo queimar até onde posso, até onde deixas, até ao limite e ardem em pequenos silêncios que se vão quebrando com meia dúzia de palavras e as chamas crescem e fazes questão que se alastrem a mim e eu ardo e já há muito fogo também em mim e chamas cruzam-se e ardem juntas perdendo todo o controlo.
E, quando já se ouvem as sirenes dos bombeiros ao longe e se aproximam cada vez mais, apago-me, apago-te só para ter o prazer de nos voltar a incendiar.
Olho para ti, regada, e gosto…Mais dois ou três silêncios, olhares e volto a regar-te e pego no fósforo e raspo na caixa e o lume cresce, de novo um silêncio e por fim incendeio-te. Levo o fogo a consumir a tua alma, o teu corpo e mais corpo…todos os cantos do teu corpo e vejo-te arder e gosto, e gostas !
Deixo queimar até onde posso, até onde deixas, até ao limite e ardem em pequenos silêncios que se vão quebrando com meia dúzia de palavras e as chamas crescem e fazes questão que se alastrem a mim e eu ardo e já há muito fogo também em mim e chamas cruzam-se e ardem juntas perdendo todo o controlo.
E, quando já se ouvem as sirenes dos bombeiros ao longe e se aproximam cada vez mais, apago-me, apago-te só para ter o prazer de nos voltar a incendiar.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Jorge Cruz - Juízo Final (versão de Careless Whispers)
A qualidade do vídeo não é a melhor, mas fica o som e as palavras... bom, muito bom, Joca no seu melhor !!
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Guerrilheiros Urbanos
Como se tudo fosse uma guerra, mas daquelas guerras em paz, sem conflitos, talvez até seja estranho dizer isto desta maneira, talvez até nem tenha sentido nenhum o que estou a escrever, o certo é que em viagem, quer estáticas, quer móveis, partilhamos cicatrizes de outras batalhas, de outros combates e ao partilhar revivemos, porque combatemos sempre do mesmo lado, dividimos a caserna, trocamos balas e lançamos morteiros quase ao mesmo tempo, na mesma direcção.
Quando penso nisto, quando olho para o nosso Plutão, somos tão poucos… e não há Capitães, Tenentes, Coronéis, nem Majores sem medo de nada. Existem apenas direcções, coordenadas, caminhos traçados no instante, por vezes sem sentido ou qualquer tipo de lógica (talvez como este texto) mas chegamos lá… ao destino, ao campo de batalha, ao confronto com o inimigo… e somos tão “valentes” ao ponto de chorar as feridas ao som de uma música triste e nunca de uma música qualquer…
Não somos ex-combatentes de ultramar, nem tão pouco somos americanos frustrados que torturaram PESSOAS, invadem nações e compram “gentes” para fazer valer os seus reles ideais… Não, não somos desses combatentes, somos do outro lado, do lado em que a luta se faz com metáforas, algumas delas meias parvas como as deste aglomerado de palavras, apenas para dar exemplo.
Também não usamos fardas, uniformes, somos o que me apetecia chamar de Guerrilheiros Urbanos, sem líderes, nem regras implantadas... livres. Temos apenas um único ideal, estar na frente da batalha e não esperamos qualquer tipo de condecoração solene, homenagens honrosas ou qualquer tipo de regalias.
Contudo, serve isto para dizer, que se me sair o Euromilhões esta Sexta-Feira, farei uma estátua nossa no meu quintal, na qual terá o seguinte dizer:
Hasta la victoria siempre !!!
Quando penso nisto, quando olho para o nosso Plutão, somos tão poucos… e não há Capitães, Tenentes, Coronéis, nem Majores sem medo de nada. Existem apenas direcções, coordenadas, caminhos traçados no instante, por vezes sem sentido ou qualquer tipo de lógica (talvez como este texto) mas chegamos lá… ao destino, ao campo de batalha, ao confronto com o inimigo… e somos tão “valentes” ao ponto de chorar as feridas ao som de uma música triste e nunca de uma música qualquer…
Não somos ex-combatentes de ultramar, nem tão pouco somos americanos frustrados que torturaram PESSOAS, invadem nações e compram “gentes” para fazer valer os seus reles ideais… Não, não somos desses combatentes, somos do outro lado, do lado em que a luta se faz com metáforas, algumas delas meias parvas como as deste aglomerado de palavras, apenas para dar exemplo.
Também não usamos fardas, uniformes, somos o que me apetecia chamar de Guerrilheiros Urbanos, sem líderes, nem regras implantadas... livres. Temos apenas um único ideal, estar na frente da batalha e não esperamos qualquer tipo de condecoração solene, homenagens honrosas ou qualquer tipo de regalias.
Contudo, serve isto para dizer, que se me sair o Euromilhões esta Sexta-Feira, farei uma estátua nossa no meu quintal, na qual terá o seguinte dizer:
Hasta la victoria siempre !!!
terça-feira, 8 de setembro de 2009
domingo, 30 de agosto de 2009
Gosto
Deixo-me ir e gosto,
De ir em ti.
No teu toque, no teu beijo…
Deixo-me ir e gosto,
De ir nesta estranheza,
Neste deambular de sentidos,
E me perder em ti.
Deixo-me ir e gosto,
Quando sorris com os olhos,
Quando me agarras,
Quando me levas em ti.
Deixo-me ir e gosto,
Deste desejo, desse teu cheiro…
Que me faz pensar em ti.
Deixo-me ir e gosto…
…De gostar de ti.
De ir em ti.
No teu toque, no teu beijo…
Deixo-me ir e gosto,
De ir nesta estranheza,
Neste deambular de sentidos,
E me perder em ti.
Deixo-me ir e gosto,
Quando sorris com os olhos,
Quando me agarras,
Quando me levas em ti.
Deixo-me ir e gosto,
Deste desejo, desse teu cheiro…
Que me faz pensar em ti.
Deixo-me ir e gosto…
…De gostar de ti.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Quem mais poderia entender?
Senti de novo o cheiro
E tu estavas lá.
Quem mais poderia estar?
Quem mais poderia entender?
Aquele correr,
Aquele brilho,
Aquela azafama.
Senti de novo tantos sentidos.
E nós estávamos lá.
Quem mais poderia estar?
Quem mais poderia entender?
Já são muitos anos,
Muitas caminhadas,
Poderia até dizer tantas paixões,
Tantas outras alegrias.
Senti de novo que era ali que queríamos estar.
E estávamos, como havemos de estar,
Muitas outras vezes…
Senti de novo que somos assim…
Seja lá o que isso quer dizer.
Mas somos… E gostamos !
E tu estavas lá.
Quem mais poderia estar?
Quem mais poderia entender?
Aquele correr,
Aquele brilho,
Aquela azafama.
Senti de novo tantos sentidos.
E nós estávamos lá.
Quem mais poderia estar?
Quem mais poderia entender?
Já são muitos anos,
Muitas caminhadas,
Poderia até dizer tantas paixões,
Tantas outras alegrias.
Senti de novo que era ali que queríamos estar.
E estávamos, como havemos de estar,
Muitas outras vezes…
Senti de novo que somos assim…
Seja lá o que isso quer dizer.
Mas somos… E gostamos !
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
LIBERDADE
Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
terça-feira, 4 de agosto de 2009
sexta-feira, 31 de julho de 2009
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Apatia
Na minha indiferença,
Sinto-me diferente…
Ao sorriso, ao sentir.
É a tal apatia do sonho,
Que fugiu, como foge o Quim!
Depois de fechar os olhos,
Já não brilho, nem disfarço.
Apenas brinco ao sono,
De mão dada com o cansaço.
Na minha diferença,
Sinto-me indiferente,
Às leituras, às escritas.
É a tal apatia do sonho.
Que fugiu, que fugiu de mim.
Sinto-me diferente…
Ao sorriso, ao sentir.
É a tal apatia do sonho,
Que fugiu, como foge o Quim!
Depois de fechar os olhos,
Já não brilho, nem disfarço.
Apenas brinco ao sono,
De mão dada com o cansaço.
Na minha diferença,
Sinto-me indiferente,
Às leituras, às escritas.
É a tal apatia do sonho.
Que fugiu, que fugiu de mim.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
A Morte absoluta
Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.
Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão – felizes! – num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.
Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?
Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.
Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."
Morrer mais completamente ainda,
Sem deixar sequer esse nome.
Manuel Bandeira
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.
Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão – felizes! – num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.
Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?
Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.
Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."
Morrer mais completamente ainda,
Sem deixar sequer esse nome.
Manuel Bandeira
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Michael Jackson - The King of Pop

Poderia dizer tanta coisa sobre o Rei da Pop, todas as loucuras cometidas, todas as revoluções que fez no corpo...mas não podemos esquecer a maior revolução de todas, a da música Pop.
A música que ouvimos hoje em dia em grande parte a ele se deve mas, como tem sido hábito todos os génios da música morrem "cedo", de forma estranha ou abrupta, Michael Jackson não fugiu à regra, por muitos "defeitos" que teve deverá ser recordado por coisas como esta...
segunda-feira, 8 de junho de 2009
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