segunda-feira, 4 de abril de 2011
quinta-feira, 10 de março de 2011
Estou Cansado
Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
Álvaro de Campos
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
Álvaro de Campos
quarta-feira, 2 de março de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Aquela Noite
É noite e não é uma qualquer.
É aquela noite,
Em que as lágrimas se afloram.
Rumam no vento do olhos…
E descem, suavemente, deslizantes.
Há frio nesta noite.
Há cheiros, cores, saudades.
É noite e não é uma qualquer.
É aquela noite,
Em que sorrisos crescem nos lábios
E brilham na ilusão da fantasia.
Risos, surpresas, desejos.
Há frio nesta noite,
Há beijos, abraços, perdões.
É noite e não é uma qualquer.
É aquela noite,
Em que as horas não passam de minutos.
É aquela noite,
Em que as lágrimas se afloram.
Rumam no vento do olhos…
E descem, suavemente, deslizantes.
Há frio nesta noite.
Há cheiros, cores, saudades.
É noite e não é uma qualquer.
É aquela noite,
Em que sorrisos crescem nos lábios
E brilham na ilusão da fantasia.
Risos, surpresas, desejos.
Há frio nesta noite,
Há beijos, abraços, perdões.
É noite e não é uma qualquer.
É aquela noite,
Em que as horas não passam de minutos.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Espelho
A rua deserta,
O cão a ladrar.
A atenção desperta,
Desvio o olhar.
Nade de novo,
Tudo está igual,
Muda o dia,
Muda a hora,
Mas o riso é banal.
Vultos perdidos,
Parecidos com o meu.
Rostos feridos,
Marcas da sombra,
Que morreu…
O vento disfarça,
O calor no peito.
Caminho cansado,
Perdido no leito.
Sigo o destino
Que já não existe,
Troco o passo,
Olho o espelho,
Ele está triste…
O cão a ladrar.
A atenção desperta,
Desvio o olhar.
Nade de novo,
Tudo está igual,
Muda o dia,
Muda a hora,
Mas o riso é banal.
Vultos perdidos,
Parecidos com o meu.
Rostos feridos,
Marcas da sombra,
Que morreu…
O vento disfarça,
O calor no peito.
Caminho cansado,
Perdido no leito.
Sigo o destino
Que já não existe,
Troco o passo,
Olho o espelho,
Ele está triste…
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
AUREA - Busy (for me)
E começamos o ano de 2011 assim...É Portuguesa, tem uma voz de se fazer ouvir em todo lado...Música do melhor, no seu melhor...Pelo menos a qualidade da música em Portugal não está em crise. Cá para mim, vai ser o ano desta menina...
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Poema do Homem Só
Sós,
irremediavelmente sós,
como um astro perdido que arrefece.
Todos passam por nós
e ninguém nos conhece.
Os que passam e os que ficam.
Todos se desconhecem.
Os astros nada explicam:
Arrefecem
Nesta envolvente solidão compacta,
quer se grite ou não se grite,
nenhum dar-se de outro se refracta,
nenhum ser nós se transmite.
Quem sente o meu sentimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem sofre o meu sofrimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem estremece este meu estremecimento
sou eu só, e mais ninguém.
Dão-se os lábios, dão-se os braços
dão-se os olhos, dão-se os dedos,
bocetas de mil segredos
dão-se em pasmados compassos;
dão-se as noites, e dão-se os dias,
dão-se aflitivas esmolas,
abrem-se e dão-se as corolas
breves das carnes macias;
dão-se os nervos, dá-se a vida,
dá-se o sangue gota a gota,
como uma braçada rota
dá-se tudo e nada fica.
Mas este íntimo secreto
que no silêncio concreto,
este oferecer-se de dentro
num esgotamento completo,
este ser-se sem disfarce,
virgem de mal e de bem,
este dar-se, este entregar-se,
descobrir-se, e desflorar-se,
é nosso de mais ninguém.
António Gedeão
irremediavelmente sós,
como um astro perdido que arrefece.
Todos passam por nós
e ninguém nos conhece.
Os que passam e os que ficam.
Todos se desconhecem.
Os astros nada explicam:
Arrefecem
Nesta envolvente solidão compacta,
quer se grite ou não se grite,
nenhum dar-se de outro se refracta,
nenhum ser nós se transmite.
Quem sente o meu sentimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem sofre o meu sofrimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem estremece este meu estremecimento
sou eu só, e mais ninguém.
Dão-se os lábios, dão-se os braços
dão-se os olhos, dão-se os dedos,
bocetas de mil segredos
dão-se em pasmados compassos;
dão-se as noites, e dão-se os dias,
dão-se aflitivas esmolas,
abrem-se e dão-se as corolas
breves das carnes macias;
dão-se os nervos, dá-se a vida,
dá-se o sangue gota a gota,
como uma braçada rota
dá-se tudo e nada fica.
Mas este íntimo secreto
que no silêncio concreto,
este oferecer-se de dentro
num esgotamento completo,
este ser-se sem disfarce,
virgem de mal e de bem,
este dar-se, este entregar-se,
descobrir-se, e desflorar-se,
é nosso de mais ninguém.
António Gedeão
domingo, 21 de novembro de 2010
Linda Martini - Adeus Tristeza
Todos os dias, todas as horas, todos os minutos, deveriam ser vividos em assimilação de coisas novas, de momentos intensos, de vontades, desejos, partilhas...
Hoje, aqui e agora, o "Faz Frio" (e faz...)Partilha com os seus leitores música portuguesa de qualidade, nova, fresca, mesmo relembrando passados.
Nem só de Leandros e Carreiras vive o som nacional...
É tempo de dizer "Adeus Tristesa"
P.S. - Pela primeira vez neste estaminé... um post partilhado.
Hoje, aqui e agora, o "Faz Frio" (e faz...)Partilha com os seus leitores música portuguesa de qualidade, nova, fresca, mesmo relembrando passados.
Nem só de Leandros e Carreiras vive o som nacional...
É tempo de dizer "Adeus Tristesa"
P.S. - Pela primeira vez neste estaminé... um post partilhado.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
sábado, 30 de outubro de 2010
Bala
É a constante ilusão de sentidos.
Um murmurar no ouvido,
Um sorriso ao fundo da escada,
E as duas lágrimas que se escondem.
São os velhos medos, os velhos dias.
São os amargos na boca,
E o fechar de olhos, pedido.
É o dilúvio que vem de dentro,
A fuga para o vazio.
É um abraço que não chega,
Que cai no choro contido.
E assim estou no tapete,
Meio para o estendido…
Uma bala que marca o peito,
É só mais um nos desconhecidos.
Um murmurar no ouvido,
Um sorriso ao fundo da escada,
E as duas lágrimas que se escondem.
São os velhos medos, os velhos dias.
São os amargos na boca,
E o fechar de olhos, pedido.
É o dilúvio que vem de dentro,
A fuga para o vazio.
É um abraço que não chega,
Que cai no choro contido.
E assim estou no tapete,
Meio para o estendido…
Uma bala que marca o peito,
É só mais um nos desconhecidos.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Dois
Dois corpos quentes,
O fluir de um ósculo,
O abraço que se quer forte,
Intenso, tão intenso.
Dois corpos nus,
A procura do caminho,
O toque que faz viajar.
Intenso, tão intenso.
Dois corpos unidos,
A ânsia do prazer,
Intenso, tão intenso.
Dois corpos fatigados,
A exaustão da loucura,
O resumir daquele desejo.
Intenso, muito intenso.
O fluir de um ósculo,
O abraço que se quer forte,
Intenso, tão intenso.
Dois corpos nus,
A procura do caminho,
O toque que faz viajar.
Intenso, tão intenso.
Dois corpos unidos,
A ânsia do prazer,
Intenso, tão intenso.
Dois corpos fatigados,
A exaustão da loucura,
O resumir daquele desejo.
Intenso, muito intenso.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Santa Cruz com laranja
Nos últimos dias a esta hora estava contigo, a esta e a todas as outras, mas hoje, aqui sentado, onde o tempo demora ainda mais tempo a passar do que lá longe, sinto a nostalgia de te ter aqui, ao meu lado, a cada demorado e penoso segundo.
O sabor a ti, o cheiro a nós e num simples instante, momento ou sorriso, resumir tudo àquela palavra que tantas vezes trocamos…
Hoje, com aquele nó na garganta que nos faz custar dizer as palavras ou até mesmo construir uma frase, faz-me ter vontade de dizer tanta coisa, de ouvir outras tantas, para no fim, colar os meus lábios aos teus, beber um Santa Cruz com laranja e rir contigo numa qualquer piscina no fim do mundo.
O sabor a ti, o cheiro a nós e num simples instante, momento ou sorriso, resumir tudo àquela palavra que tantas vezes trocamos…
Hoje, com aquele nó na garganta que nos faz custar dizer as palavras ou até mesmo construir uma frase, faz-me ter vontade de dizer tanta coisa, de ouvir outras tantas, para no fim, colar os meus lábios aos teus, beber um Santa Cruz com laranja e rir contigo numa qualquer piscina no fim do mundo.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
John Mayer - Heartbreak Warfare
Por vezes são acasos, momentos, dias, um simples minuto ou segundo...
Neste caso nao foi um acaso estar ao teu lado quando ouvi isto pela primeira vez.
Esta é so para ti...
Neste caso nao foi um acaso estar ao teu lado quando ouvi isto pela primeira vez.
Esta é so para ti...
domingo, 8 de agosto de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Anuário
Já não há laivos antigos,
Apenas restos mastigados,
Numa noite quente e esquecida.
Como pano de fundo, tu.
Um encanto, um espanto,
Uma réstia de alegria.
Já não há sons pedidos,
Apenas acordes sós,
Num dia frio e já sem vida,
Como pano de fundo, eu.
Um desencanto, um espanto.
Uma réstia de magia.
Já não há jogos perdidos,
Apenas beijos sentidos,
Num Agosto morno e festivo,
Como pano de fundo, nós.
Um alento, um encanto
A tal réstia de euforia.
Apenas restos mastigados,
Numa noite quente e esquecida.
Como pano de fundo, tu.
Um encanto, um espanto,
Uma réstia de alegria.
Já não há sons pedidos,
Apenas acordes sós,
Num dia frio e já sem vida,
Como pano de fundo, eu.
Um desencanto, um espanto.
Uma réstia de magia.
Já não há jogos perdidos,
Apenas beijos sentidos,
Num Agosto morno e festivo,
Como pano de fundo, nós.
Um alento, um encanto
A tal réstia de euforia.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Florence + the Machine - You've Got the Love
É a música de verão... O Video, a Musica, a Letra... está tudo lá...
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Desencanto
Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.
Manuel Bandeira
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.
Manuel Bandeira
quinta-feira, 15 de julho de 2010
sábado, 10 de julho de 2010
Maresia
terça-feira, 29 de junho de 2010
segunda-feira, 31 de maio de 2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Aquele triste silêncio
Hoje há apenas um saco vazio,
E aquele triste silêncio.
A mão, está no bolso e não treme,
A cabeça já não está aqui.
Hoje há apenas o que falta de ti,
E aquele triste silêncio.
O coração, está no bolso e não treme,
O pensamento já não está aqui.
Hoje há apenas aquilo que não quero,
E aquele triste silêncio.
O desejo, está no bolso e não treme,
O amor, esse maldito, continua aqui.
E aquele triste silêncio.
A mão, está no bolso e não treme,
A cabeça já não está aqui.
Hoje há apenas o que falta de ti,
E aquele triste silêncio.
O coração, está no bolso e não treme,
O pensamento já não está aqui.
Hoje há apenas aquilo que não quero,
E aquele triste silêncio.
O desejo, está no bolso e não treme,
O amor, esse maldito, continua aqui.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Soneto 96 de William Shakespeare
Ontem recebi como dedicatória, hoje partilho com o mundo...
De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça. Amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
È astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
William Shakespeare
De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça. Amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
È astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
William Shakespeare
quarta-feira, 5 de maio de 2010
...
Da grande página aberta do teu corpo
sai um sol verde
um olhar nu no silêncio de metal
uma nódoa no teu peito de água clara
Pela janela vejo a pequenina mão
de um insecto escuro
percorrer a madeira do momento intacto
meus braços agitam-te como uma bandeira em brasa
ó favos de sol
Da grande página aberta
sai a água de um chão vermelho e doce
saem os lábios de laranja beijo a beijo
o grande sismo do silêncio
em que soberba cais vencida flor
António Ramos Rosa
sai um sol verde
um olhar nu no silêncio de metal
uma nódoa no teu peito de água clara
Pela janela vejo a pequenina mão
de um insecto escuro
percorrer a madeira do momento intacto
meus braços agitam-te como uma bandeira em brasa
ó favos de sol
Da grande página aberta
sai a água de um chão vermelho e doce
saem os lábios de laranja beijo a beijo
o grande sismo do silêncio
em que soberba cais vencida flor
António Ramos Rosa
domingo, 25 de abril de 2010
Pedro Abrunhosa Não Desistas de Mim
Às vezes também tenho o direito de ser lamechas... e é tão bom... esta letra, o melhor que ele tem, diz tanto e tanto...o disco é novo, as dores são velhas... é desfrutar da escrita e fazer o favor de ouvir a música...
A porta fechou-se contigo,
Levaste na noite o meu chão,
E agora neste quarto vazio
Não sei que outras sombras virão.
E alguém ao longe me diz:
Há um perfume que ficou na escada,
E na TV o teu canal está aberto,
Desenhos de corpos na cama fechada,
São um mapa de um passado deserto.
Eu sei que houve um tempo
Em que tu e eu
Fomos dois pássaros loucos,
Voámos pelas ruas
Que fizemos céu,
Somos a pele um do outro.
Não desistas de mim,
Não te percas agora,
Não desistas de mim
A noite ainda demora.
Ainda sei de cor o teu ventre
E o vestido rasgado de encanto,
A luz da manhã,
O teu corpo por dentro,
E a pele na pele de quem se quer tanto.
Não tenho mais segredos,
Escondi-me nos teus dedos,
Somos metades iguais.
Mas hoje,
Só hoje,
Leva-me para onde vais
Que eu quero é dizer-te:
Não desistas de mim,
Não te percas agora,
Não desistas de mim
A noite ainda demora.
A porta fechou-se contigo,
Levaste na noite o meu chão,
E agora neste quarto vazio
Não sei que outras sombras virão.
E alguém ao longe me diz:
Há um perfume que ficou na escada,
E na TV o teu canal está aberto,
Desenhos de corpos na cama fechada,
São um mapa de um passado deserto.
Eu sei que houve um tempo
Em que tu e eu
Fomos dois pássaros loucos,
Voámos pelas ruas
Que fizemos céu,
Somos a pele um do outro.
Não desistas de mim,
Não te percas agora,
Não desistas de mim
A noite ainda demora.
Ainda sei de cor o teu ventre
E o vestido rasgado de encanto,
A luz da manhã,
O teu corpo por dentro,
E a pele na pele de quem se quer tanto.
Não tenho mais segredos,
Escondi-me nos teus dedos,
Somos metades iguais.
Mas hoje,
Só hoje,
Leva-me para onde vais
Que eu quero é dizer-te:
Não desistas de mim,
Não te percas agora,
Não desistas de mim
A noite ainda demora.
sábado, 17 de abril de 2010
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